«A Vida Monástica: entrega e serviço
na alegria e despojamento»

Testemunho do Frei Fernando

             “Escuta, filho, os preceitos do Mestre e inclina o ouvido do teu coração; aceita de boa mente o conselho de um pai cheio de ternura e põe-no em prática…” (RB Pról., 1).

            Inicio este curto testemunho com o primeiro versículo do Prólogo da Regra de S. Bento. Nele, o nosso Patriarca chama-nos à atenção para a escuta de Cristo, dos seus ensinamentos, tanto a nós, monges, como a qualquer cristão, pois nós não somos mais do que comuns cristãos.

 Mas, S. Bento vai mais longe, pois não basta escutar, precisamos, de ir mais além, aceitar com boa vontade, sem relutância aquilo que nos é proposto porque é oferecido por um pai pleno de ternura, um Pai que é amor (1Jo 4,8b), cujo único desejo é a nossa felicidade terrena, como prelúdio da felicidade que nos está reservada no Céu. E para isso, diz-nos, S. Bento, é necessário pôr em prática, como nos diz o lema da semana, “os sonhos de Deus”.

A vida religiosa, e em especial, a vida monástica, a que escolhi, ou melhor, a que Deus escolheu para mim, inútil servo, pois limito-me a responder com o meu melhor, dentro das próprias limitações, àquilo que me é solicitado, é um constante compromisso com a fé cristã e expressão complementar do Evangelho.

Esta complementaridade entre vida monástica e fé cristã tem três consequências na nossa vivência quotidiana: no que respeita ao passado, ao presente e ao futuro.

Na primeira, apercebemo-nos do passado da existência monástica como um depósito de fé vivida na configuração com a vida de Jesus com os Apóstolos. Esta forma de vida  que Jesus levava e ensinava é a expressão da sua própria experiência de total dependência do Pai. Para o monge, as práticas monásticas, enraizadas na vida de Cristo, são a face externa do Evangelho, enquanto a fé é a força interior que proporciona o dinamismo na vida monástica. Nesta relação recíproca, se entende o compromisso da conversão de vida.

A segunda, é a chave para no presente podermos recolher o fruto dessa mesma conversão. As observâncias monásticas e tudo o que respeita ao mosteiro, em particular às pessoas que Deus escolheu para vivermos, tem que ser, de forma ativa e contínua interpretadas pelo monge à luz de uma fé viva. É este processo de fé viva que faz o coração dilatar com inexprimível doçura de amor, porque é por obra do Espírito Santo que, a pouco e pouco, se reproduz no monge algo da alma humana de Cristo.

Finalmente, a terceira consequência, diz respeito ao futuro. O monge com fé tem a convicção de que  a vida monástica não só antecipa a vida eterna, como, de certo modo, já a alcança, ele em particular e a comunidade no seu conjunto. Nesta vida em comum, os irmãos unem-se para formar uma comunidade santa, antecipação da comunidade celestial na qual Deus será tudo em todos. Para os de fora, é um ícone de vida eterna e para os que vivem esta realidade pessoalmente é uma visão vivificante que os guia e sustenta nos momentos difíceis do seu caminho.

É esta a vida de entrega e serviço que na alegria e despojamento, os monges e todos os religiosos procuram a sua configuração com o Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Termino, com o último parágrafo da Regra: “Quem quer que sejas, portanto, que te dás pressa em chegar à pátria celeste, põe em prática, com a ajuda de Cristo, este pequeno esboço da Regra escrita para principiantes. E então chegarás finalmente, com a proteção de Deus, a essas sublimes alturas de doutrina e de virtudes, a que acima nos referimos. Ámen. (RB LXXIII, 8-9).

Ousa, no silêncio da oração, ESCUTAR

 

Ousa, de pronto, ACEITAR

 

Ousa, sem medo, PRATICAR

  

A FELICIDADE ESTÁ À TUA FRENTE:

VIVERES O SONHO DE DEUS

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