«Sou irmã de uma monja carmelita descalça»

Testemunho de Francisca de Almeida Sampaio

Ter como cartão de visita “sou irmã de uma monja carmelita descalça” é, sem dúvida, uma bênção muito especial. A Carolina entrou para o Mosteiro de San Calixto, em Espanha, no dia 12 de outubro de 2019 e tomou o Hábito no dia 13 de maio de 2020, recordando, penso, as suas muitas idas a Fátima para visitar a Nossa Mãe e, com Ela, ver o que o Seu Filho lhe pedia.

Naquele Mosteiro escondido no meio da serra, a 18 kms da povoação mais próxima, a Madre Prioresa do Carmelo disse-me uma vez que era uma graça ter uma vocação na família. Confesso que ao início tal afirmação deixou-me perplexa e confusa. Embora compreendesse a dimensão do que disse, na verdade só conseguia identificar as saudades da minha irmã, apaziguadas por uma troca de cartas constante. Mas a vida mudou, à medida da vida dela, e a chuva de graças começou a ser incontornável, palpável, e extremamente real. Ter uma vocação na família é mesmo uma graça!

A relação pessoal com a Carolina transformou-se também de forma real porque passou a ser uma relação repleta de Deus. Temos uma relação onde o Amor é traduzido em oração incessante. Somos amados, pela nossa monja, através da sua entrega. E ela é amada por nós através da entrega que fazemos com ela. A dor sentida no dia em que a deixámos à porta do Carmelo é hoje convertida em alegria a cada visita. Essa dor é convertida em puro agradecimento pelas maravilhas que Nosso Senhor tem feito. No locutório, com ela, conversamos sobre os respetivos dias, contamos as novidades, partilhamos as nossas preocupações. Mas é também no locutório que vamos percebendo a forma como Deus entrou naquele coração e entra no nosso a cada palavra proferida. Todas as visitas ao Mosteiro são transformadas em oração.

Pagela da tomada de Hábito

É difícil explicar o percurso da minha irmã como Carmelita pois é absolutamente pessoal e único, mas é possível perceber a alegria que irradia e a felicidade que transmite. Nunca a vimos tão feliz e tão perto de Jesus. Pedi-lhe, em tempos, que desse um testemunho da sua vocação. Com humildade de quem acha que pouco vale, a Carolina contou-nos a sua história e a forma como Deus a chamou pelo nome – uma inquietação que tem apenas como resposta a oração de Santa Teresa d’Ávila “Só Deus basta”. Se verdadeiramente “Só Deus basta”, então como não poderia ela despojar-se de tudo para entregar a vida ao seu Amado e rezar pela salvação da humanidade?

Naquele cantinho da serra, que parece ser uma amostra do Céu, as Carmelitas dedicam a sua vida à oração. Pertencendo a uma Ordem Contemplativa, as monjas dão testemunho da sua vocação pela entrega, pelo cuidado com os outros, pelo oferecimento de cada tarefa, pela total confiança na Providência na certeza de “quem a Deus tem, nada lhe falta”.

O tempo pára quando se vai a San Calixto. As monjas, sempre sorridentes, falam connosco e, mesmo atrás das grades, estão mais conscientes do que nós daquilo que se passa no mundo. Sabem, sem soberba, que são parte do sustento da Igreja. Se tivessem dito que não a Nosso Senhor, o mundo seria um lugar mais pobre. É uma missão grande esta que Deus lhes pede, e – a cada gesto, a cada conversa, a cada momento – compreendemos que sabem isso mesmo e que estão ali porque responderam à sua vocação sem medo e continuam a responder apaixonadamente todos os dias.

“Estas últimas semanas têm servido para ir aprendendo do Sacratíssimo Coração de Jesus como entrar neste mundo interior que contém o Céu, que é a minha alma” – irmã Maria Carolina das Chagas, numa carta enviada à família em fevereiro de 2021. Desde que a Carolina entrou no Carmelo as cartas que nos escreve estão repletas de Deus e demonstram a proximidade que foi ganhando com Jesus, e deixam-nos entrar um pouco no magnífico mundo que é a sua alma.

No Domingo em que se celebram as vocações, agradeçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo por escolher para Si estas pessoas que, com coragem e fortaleza, proclamam um Fiat ao jeito de Maria. Sei que a Carolina reza todos os dias pela Paróquia de São Nicolau, por quem lá passa e se aproxima de Deus, por quem lá vive, por quem se entrega e dedica a sua vida a este serviço tão doce aos olhos de Nossa Senhora. Rezem também por ela.

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