«Fomos em família entregar
a nossa querida irmã ao Carmelo»

Testemunho de Beatriz Serrão Brochado

A Júlia nasceu em 2002 em Lisboa, sendo a terceira de sete filhos. Desde pequenina, era brincalhona e, além daquelas rivalidades próprias de irmãos, sempre foi uma excelente irmã!

É importante dar a nota que, graças a Deus, em nossa casa sempre se respirou Fé. Os nossos pais têm alguma proximidade ao movimento Comunhão e Libertação e são membros dedicados das paróquias a que foram pertencendo, onde já fizeram um pouco de tudo: desde dar catequese ao apoio à gestão paroquial.

Deste modo, apesar de não ser, obviamente, a família perfeita, sou muito grata aos meus pais e a Deus, por ter dado a estes seus filhos a oportunidade de crescerem numa casa em que Cristo esteve sempre no centro. Onde convivemos tanto com leigos, como convivemos com freiras e sacerdotes, que sempre nos habituámos a ver à mesa lá de casa. Uma casa em que se fala da Fé à mesa com a mesma naturalidade com que se comentam as notas nos testes ou a actualidade informativa. Em suma, uma casa em que nos ensinaram que a oração e a presença de Deus deve ser uma constante na nossa vida.

Embora apenas Deus, os Seus desígnios e a nossa fraca vontade possam, no fim, decidir o rumo que tomamos, sem dúvida que o contexto familiar é uma peça fundamental para o nosso crescimento. Foi assim, neste contexto, que a Júlia cresceu. Aos poucos, foi-se formando nela este desejo de se entregar de forma mais radical ao serviço de Deus e da Sua Igreja.

A Júlia sempre teve uma sensibilidade diferente. Quando era pequenina e lhe perguntávamos o que queria ser quando fosse grande, ela respondia com muita convicção: “freira bailarina!”. Para ela era natural, pois combinava duas realidades de que ela gostava muito: Jesus e o ballet. Não havia sítio a que a Júlia fosse que não levasse atrás o seu menino Jesus. Estes eram apenas alguns sinais da familiaridade e simplicidade com que ela tratava Jesus.

Uma amiga dos meus pais tinha entrado há alguns anos no Carmelo de Faro, e mantivemos uma proximidade especial com ela: é madrinha de um dos meus irmãos e quando íamos ao Algarve passávamos por Faro para falar com as irmãs carmelitas. Saíamos sempre de lá com o coração cheio, porque as irmãs são as pessoas mais felizes e alegres que conhecemos. Acredito que este contacto com o Carmelo tenha deixado uma semente no coração da Júlia.

Ela foi amadurecendo e fazendo o seu caminho de fé e discernindo a sua vocação de maneira mais séria, com o apoio da direcção espiritual e da oração, de maneira muito discreta. Teve vários retiros vocacionais, começou a passar umas temporadas no Carmelo, na zona da hospedaria, podendo participar em algumas actividades da comunidade, confirmando o chamamento que Nosso Senhor lhe fazia.

O dia pelo qual a Júlia tanto suspirou, chegou, finalmente. A 15 de outubro, dia de Santa Teresa de Ávila, fomos em família entregar a nossa querida irmã ao Carmelo, testemunhando a sua disponibilidade de coração para uma entrega radical a Nosso Senhor e à Igreja. Nesse dia, a Júlia entrou como Aspirante no Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo num passo decisivo do aprofundamento e de discernimento da sua vocação.

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email