Carta do Patriarca de Lisboa sobre a Vigília de Oração convocada pelo Papa Leão XIV
Reverendíssimos Padres,
Caríssimos Irmãos da Igreja de Lisboa,
Num tempo em que a humanidade continua ferida por conflitos, violências e guerras que dilaceram povos inteiros, ressoa no nosso coração, com particular urgência, o apelo do Evangelho: ser construtores da paz, artesãos da reconciliação, testemunhas da esperança.
O Santo Padre, o Papa Leão XIV, convocou toda a Igreja para uma Vigília de Oração pela Paz, que terá lugar na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, dia 11 de abril, às 18 horas de Roma (17 horas em Portugal continental). Este convite é dirigido a todos: pastores, fiéis e pessoas de boa vontade, comunidades e famílias, jovens e idosos, para que, unidos como um só povo, elevemos ao Senhor o clamor da paz.
Também nós, no Patriarcado de Lisboa, somos chamados a responder com generosidade a este apelo. Ainda que distantes fisicamente, podemos e devemos unir-nos espiritualmente ao Santo Padre, acompanhando esta Vigília através dos meios de comunicação e fazendo da nossa oração um verdadeiro ato de comunhão com a Igreja universal.
Recordo com emoção o testemunho que nos chegou de um bispo de uma região marcada pela guerra, que nos pediu com simplicidade e dor: «Não se esqueçam de nós. Tenham-nos presentes». Estas palavras, que ecoaram na Vigília de Oração pela Paz que convoquei no passado dia 26 de março, na Basílica da Estrela, permanecem como um apelo vivo à nossa consciência cristã. Não podemos esquecer. Não queremos esquecer. A oração é a primeira forma de proximidade e solidariedade.
Por isso, peço a todas as comunidades do Patriarcado de Lisboa que, nas Missas deste sábado e Domingo, incluam na Oração Universal uma intenção especial pela paz, em união com o Santo Padre e com todos aqueles que sofrem por causa da guerra. Pode-se usar a seguinte: «Para que o Espírito dado por Jesus ressuscitado inspire os corações dos governantes a procurarem os caminhos da concórdia e da paz para o mundo, oremos»(esta intenção deve ser colocada em segundo lugar na ordem das intenções segundo o formulário proposto para o Domingo II da Páscoa).
A paz não é apenas ausência de guerra: é dom de Deus e tarefa confiada aos homens. Nasce de corações reconciliados, cresce na justiça e floresce na caridade. Ao rezarmos pela paz, comprometemo-nos também a vivê-la no nosso quotidiano: nas nossas famílias, nas nossas comunidades, nas nossas relações.
Confiamos este caminho à intercessão de Maria, Rainha da Paz, para que nos ensine a acolher e a gerar Cristo, nossa paz, no coração do mundo.
Com votos de continuação de feliz Páscoa.
Lisboa, 9 de abril de 2026
† Rui, Patriarca de Lisboa